O BANCO DE MERCADO
RESSUSCITOU O ESPÍRITO PÚBLICO?
Toda campanha salarial a direção
do Banco do Brasil resolve ressuscitar o espírito público que passa adormecido
o ano inteiro.
Não é com os que dependem das
políticas públicas que eles estão preocupados. Mas com as vendas, com a
atividade negocial!
É que eles sabem que, mesmo com os canais alternativos,
ainda somos nós, funcionários do
Banco do Brasil, que fechamos vários negócios nas agências,
presencialmente, ou por telefone, por meio da “oferta ativa”. Nós somos um
Banco forte de varejo.
Tanto é que os gerentes de
relacionamento são demandados para ocupar postos de telefonia dentro de suas
unidades de trabalho cotidianamente, “baixar as listas de contato” e atender as
“metas desafiadoras” dos 3 “R”s: RS, RCT e RSP.
Ops... Mas também tem Pacote de
Serviço, Captação, Saldo Poupança. E – claro – a Inadimplência!!!
E quem vai resolver os problemas dos clientes? Nós também!!!
SOMOS NÓS QUE SUAMOS A
CAMISA QUE VESTIMOS
É exemplar a
dedicação de cada colega no dia-a-dia de nosso trabalho. Contudo, não é com
parceria que somos tratados.
Nós somos
vistos como parceiros apenas na hora da “entrega”. Somos parceiros para
entregar o resultado. Mas não somos parceiros para usufruir desse resultado.
Não se trata
apenas de PLR. Hoje, os níveis salariais pagos pelo Banco do Brasil não
recuperam as perdas históricas da categoria. Isso impacta diretamente no
orçamento familiar e nos torna dependentes das funções gratificadas e
comissionadas que, após desconto de IR, INSS, FGTS, PREVI, CASSI (só para falar
dos descontos ordinários), nem sobra tanto assim.
E mesmo com
altos lucros alcançados por nós, tudo o que o Banco tem a oferecer é um
reajuste de 5,5%!
Aceitar essa
proposta é aceitar agora uma defasagem em nossos salários. Com os preços de
serviços e mercadorias aumentando, nosso salário encolherá! Este é o resultado!
E ADIANTA LUTAR?
ADIANTA FAZER GREVE?
Nesse momento é uma queda de braço. Nossa categoria pediu um
reajuste, melhoria do Plano de Cargos e Remuneração, fim da lateralidade,
isonomia, condições de trabalho, solução para a CASSI, entre outras.
O Banco não ofertou nada além dos 5,5% e abono.
Até agora foram meses nas tais mesas de negociação
permanente. E sabe por que não se avançou nessas mesas permanentes de
negociação?
Por um motivo simples: Não havia pressão sobre a direção do
Banco!
Este é o momento da pressão!
Quem não fizer greve, contará para o cálculo do patrão. E
jogará contra os colegas, todos os colegas, contra os que estão em greve, e
contra eles mesmo que não estão em greve. Nos tornará mais fracos e o patrão
mais forte.
É difícil? Já foi mais difícil quando a greve nem direito era
para os trabalhadores e trabalhadoras. É hora do coletivo, é hora de dar as
mãos. Só há dois lados agora: O dos patrões e o nosso.
O jogo do patrão é nos dividir para nos enfraquecer. O nosso
é o de nos unirmos. Sabendo que, nos momentos mais difíceis, quando precisarmos
de qualquer direito, não serão as promessas do patrão que nos servirão de
salvaguarda e proteção, mas os direitos conquistados coletivamente.
OS DISCURSOS DO PATRÃO
Não é nosso gestor imediato que negocia nossos direitos, mas
eles são utilizados para reproduzir o discurso oficial da direção do Banco,
além de serem pressionados para manter nas unidades um contingente cada vez
maior de colegas para derrotar nossa greve. E outros porque são mais realistas
que o Rei.
Aqui são alguns exemplos de discursos apresentados nas
unidades:
“Eu também já fiz greve... Na minha época, a gente parava
banco privado...”
“Os bancos públicos são quem pagam o pato, porque os bancos
privados ficam fazendo negócio”
“Não adianta. Já está tudo acertado”
“Não é pra lutar por aumento. O importante são condições de
trabalho”
Todos estes discursos utilizados com o único fim de tentar “convencer”
os trabalhadores de agirem contra os seus próprios interesses.
Porque se não aderimos a greve, é que não vai mesmo melhorar
as condições de trabalho, não vai adiantar, e quem vai “vai pagar o pato” somos
nós.
O único momento que temos o ano inteiro para mostrar nossa
discordância com a atual política do Banco é agora. Porque no ano inteiro nos é
dito que as decisões são em nível estratégico. E a nós cabe apenas executá-las,
cumpri-las.
O ASSÉDIO
Perguntar em entrevista para comissionamento se um(a) colega faz ou vai
fazer greve, além de assédio, é um ato medíocre e covarde de quem não tem
profissionalismo e compromisso com valores éticos mínimos.
No curso de
ética promovido pela universidade corporativa do Banco, é alertado que entre os
valores da empresa e uma conduta errada de seu gestor ou superior hierárquico,
fique com os valores da empresa.
Nossa empresa orgulha-se de cumprir
todas as leis e mostra-se como exemplo público de responsabilidade
sócio-ambiental. Agir contra estes valores ao condicionar uma nomeação à abdicação
de um direito constitucional inalienável é prática gravíssima.
Não se pode
abrir a boca e dizer que é democrático e atentar contra um direito inalienável
de nossa jovem democracia: o das liberdades individuais e coletivas, entre as
quais, está o legítimo direito para exercício da greve.
A greve não
é um ato individual, mas coletivo. É decidido em assembleia e construído
coletivamente. A decisão de fazer greve é sempre coletiva, decidida em espaços
coletivos. A de furar a greve é que é individual, muitas vezes por motivos de
constrangimento.
Não consta
no TAO e em nenhum normativo como requisito ou indicação para investidura no
cargo abdicar de qualquer direito constitucional. E atentar contra os direitos
conquistados pela cidadania é digno da mais profunda censura e repulsa.
O colega
afirma: “Mas eu assumi um compromisso com meu chefe de não fazer a greve, já
que ele me nomeou”.
Qualquer compromisso assumido, sob
coação, ou impingindo a uma das partes a subtração de um direito legítimo
(nesse caso, o direito de greve) é considerado de má fé e, portanto,
socialmente nulo.
É GRAVE! É GREVE!
UM POR TODOS E TODOS
POR NOSSOS DIREITOS!
Por isso, colega, estamos todos juntos. A hora é de
união. No momento em que os Bancos mais
lucram, não podemos aceitar um reajuste inferior à inflação e sequer negociação
qualquer questão específica da categoria.
O Banco respondeu com desprezo a nós que suamos a camisa pela
empresa. Não apenas vestimos, nós damos nosso completo empenho!
Esta é a hora da direção do Banco reconhecer o nosso valor.
PLR não sustenta meu salário o ano inteiro. Abono é
desrespeito. E 5,5% é insulto.
Estamos todos juntos porque nas horas que mais precisamos são
os direitos conquistados que serão nossa salvaguarda.
Todos à Assembleia de greve dia 01 de outubro, 19h, na sede
do sindicato.