terça-feira, 6 de setembro de 2016

BANCÁRIOS INICIAM GREVE POR TEMPO INDETERMINADO

Uma das maiores categorias de trabalhadores inicia, hoje terça-feira (6), greve por tempo indeterminado em todo o Brasil. Mesmo com a crise econômica no país, os bancos foram o setor mais lucrativo da economia no primeiro trimestre deste ano. Juntos, BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander chegaram a R$ 29,7 bilhões de lucro. Este vem das tarifas e juros altíssimos que os bancos cobram da população e do aumento da exploração do trabalho dos bancários. Mesmo com tudo isso, os banqueiros negaram todas as reivindicações da categoria na mesa de negociação.
O reajuste salarial proposto pelos banqueiros não chega a repor sequer a inflação, projetada em 9,57%. Os bancos propuseram 6,5%, o que representaria uma perda salarial de 2,8%. As demais reivindicações, relativas a condições de trabalho e emprego, também foram negadas. Os bancos acabaram com quase oito mil postos de trabalho, somente neste ano. Os bancários estão trabalhando cada vez mais e com mais pressão para atingir metas e os bancos se negam a contratar mais funcionários ou conceder qualquer medida que proteja o emprego dos bancários.


As reivindicações das mulheres bancárias também foram negadas. Nos bancos, as mulheres também sofrem muito com o machismo, recebem, em média, 22,1% menos do que os homens, são preteridas na ascensão profissional, sofrem com o assédio sexual, têm o vale-refeição cortado durante a licença maternidade.
A greve dos bancários que inicia nesta terça é, portanto, uma resposta a esta intransigência e tem um desafio muito grande, de enfrentar os banqueiros, representados pela Federação Nacional dos Bancos (FENABAN) e o governo de Temer (PMDB), que controla os bancos públicos. Para fortalecer a greve dos bancários será fundamental a unificação com as lutas e greves dos trabalhadores dos Correios e petroleiros, que também estão em período de campanha salarial. Os ecetistas já têm indicativo de greve marcado para o dia 14 de setembro. Para o dia 15 de setembro, a proposta é construir mobilizações de rua unificadas.
A CUT e a CTB, que estão na direção da maioria dos sindicatos de bancários do país, precisam impulsionar esta unificação e garantir democracia no movimento grevista, com espaço para que os bancários se manifestem nas assembleias, opinem sobre os rumos da greve. Só com democracia os bancários serão motivados a participar ativamente e fortalecer o movimento grevista.
Fonte: http://julianacaref.com.br