quinta-feira, 27 de setembro de 2012

GREVE POR DIGNIDADE


GREVE POR DIGNIDADE

                Nós já sabemos o que ocorre todo ano. Um quadro permanente de desmobilização da categoria, de ausência das direções sindicais e de imensa pressão cotidiana a que somos submetidos.

                Durante o ano inteiro, nenhuma questão que realmente interesse a nós bancários é, de fato, negociada. Em nenhum momento, os Bancos sentem nossa pressão.

                Na iniciativa privada, a direção do Sindicato faz uma greve parcial, desproporcional com a força que dizem ter nesse setor da categoria. E não conseguem sequer arrancar coisas mínimas como organização por local de trabalho ou um piso salarial decente.

                Nem mesmo pedem um reajuste condizente com os expressivos lucros e produtividade do sistema financeiro, apresentado pautas rebaixadas feitas como se houvessem sido encomendadas pelos patrões. Será que não foram?

                Nos bancos federais, o quadro é de conivência com as direções dos Bancos, apresentando como grandes vitórias “propostas” que sequer contemplam um único ponto de antigas demandas como perdas históricas, isonomia, Plano de Cargos e Salários capaz de garantir salários dignos durante a vida laboral, piso salarial e condições de trabalho.

                Mesmo entre os bancos federais são várias as desproporções, sendo o Banco do Brasil o único a não pagar pela substituição de nenhum cargo (a não ser da gerência geral) e ter a menor remuneração de um caixa executivo, por exemplo.

                Em meio a tudo isso, há uma estratégia de submeter tudo à mesa da Fenaban, deixando de lado pontos importantes a serem avançados nos bancos federais. Esta artimanha tem como único objetivo esconder o governo, patrão nos bancos federais, das negociações. Essa blindagem do governo é feita a partir da cumplicidade de burocracias sindicais que já há algum tempo não representam os nossos interesses.

                Infelizmente, a diretoria de nosso sindicato mostra mais uma vez que não tem qualquer compromisso com a categoria, fazendo parte deste jogo orientado por um Comando Nacional (CONTRAF-CUT) que detém ainda controle sobre parte considerável dos sindicatos.

NÓS RESISTIMOS!

“Se não houver frutos, valeu a beleza das flores;

 se não houver flores, valeu a sombra das folhas;

 se não houver folhas, valeu a intenção da semente”.

Maurício Francisco Ceolin

                Contudo, nós bancários cearenses mostramos que continuamos resistindo. E não estamos sozinhos. Em outros estados do país, bancários têm mostrado sua insatisfação e buscado fazer valer a nossa voz!

                As direções sindicais traidoras e os patrões pretendem nos desmobilizar, jogando com nossa descrença, ceticismo e decepção.

                Mas não são estes os combustíveis que devem nos alimentar. O que nos move é a indignação, a esperança e a crença de que só com a força de todos juntos podemos vencer os obstáculos. E venceremos.

                Mostramos mais uma vez o que queremos e não aceitamos qualquer tipo de manobra.

A ARMAÇÃO ENCENADA

                Estava tudo pronto para acabar com nossa greve. Ano inteiro sem mobilização e informação nas unidades de trabalho. Assembleias com pouca participação. E o mesmo script: Na primeira proposta que os bancos federais apresentassem após a mesa da Fenaban, o Comando Nacional indicaria a aceitação, sem sequer buscar avançar mais.

                Entretanto, a direção sindical do Ceará, logo de início, na assembleia realizada dia 26/09/2012 (quarta-feira), convocada às pressas, sentiu a pressão do conjunto dos colegas que não estavam nada satisfeitos com a proposta da Fenaban e as específicas do BB, CEF e BNB.

                Isso levou a diversas tentativas, por parte da direção do sindicato, de manobrar votações já realizadas pela assembleia. E ainda, ao final, a diretoria do sindicato, não conseguiu disfarçar sua divisão e reais propósitos, quando se dividiu completamente. Uma parte defendendo a aceitação de todas as propostas. E outra defendendo a aceitação da Fenaban e rejeição nos bancos federais.

                O conjunto dos colegas, cansados das manobras da diretoria do sindicato, rejeitou todas as propostas, pois não contemplavam nem de perto questões fundamentais à categoria, como o piso, PCR, isonomia, condições de trabalho. E, no caso do BB, fim do PSO e da lateralidade, por exemplo.

 A LUTA CONTINUA!

                Resistimos às pressões de diversos administradores para voltar ao trabalho e mantivemos a nossa greve até o momento em que pudemos, diante de um Comando Nacional que não negocia em nosso nome e que dividiu a categoria em todo o país.

                E mostramos que, apesar de toda a armação das burocracias sindicais e da pressão por parte dos Bancos, não nos arrancaram a voz, a nossa capacidade de se organizar e lutar por nossos direitos.

                E esta é a principal lição que fica: Na vitória ou na derrota, na paz ou na guerra, estaremos todos juntos!

                Este é o desafio: o de permanecermos unidos o ano inteiro. Afinal, outras primaveras virão.

                Este também é o convite para que ampliemos ainda mais o MOVIMENTO RESGATAR O SINDICATO PARA OS BANCÁRIOS. Um movimento do qual você já faz parte, que despontou na última eleição para a diretoria de nosso sindicato.

                Um movimento plural, amplo, democrático, diverso. Isto porque nós, bancários, temos a capacidade de nos auto-organizar. E entendemos que o sindicato não pode ser de grupo A ou B, mas de todos, e deve estar a serviço dos bancários. De ter independência e autonomia frente a partidos e governos. E de ser democrático, garantindo a expressão consciente e livre das diferenças, acatando a decisão da maioria, e comportando-se com a mais absoluta ética e transparência como devem ser todas as ações daqueles/as que provisoriamente exercem alguma função de representação.

                Nós não precisamos de “sindicalistas” ou “burocratas experientes”, nós somos todos bancários e temos de tomar o movimento em nossas mãos. Somos capazes de definir livremente qual rumo seguir. Errando ou acertando. Mas, sempre, JUNT@S.

                PARTICIPE! ENTRE EM CONTATO CONOSCO: resgatarosindicato@gmail.com

 

 

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