(...)
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flordo nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
No caminho, com
Maiakóvski.
Eduardo Alves da Costa
Temos
visto a luta dos professores. Em todos os estados. Aqui mesmo no Ceará. Agora,
no Rio de Janeiro, coincidindo com a nossa greve.
Enfrentando
a violência da polícia e um governo sem abertura ao diálogo, que aposta na desqualificação
política, no uso da força e na maioria parlamentar de uma Câmara subserviente.
Estes
educadores têm uma carga horária de trabalho das mais elevadas. Após greve,
ainda repõem várias horas de aula para recuperarem o ano letivo de seus alunos.
Fazem planejamento aos sábados. Corrigem e elaboram provas nos finais de semana
e horário de almoço.
Mas
não se intimidam. Apanham da polícia, levam spray de pimenta, vão às ruas e
ainda repõem várias horas didáticas. Trabalham e suam pelo país. E são muito
mal remunerados.
Muitos
de nós nem somos afetados, pois a maioria de nossos filhos estuda em escolas
particulares.
Mas
será que não fica alguma lição para nós?
Os
professores/as, diferentemente de nós, bancários, não causam nenhum impacto
econômico direto com sua greve. O patrão deles tem um orçamento muito mais
apertado que o dos banqueiros. Por isso, as greves de professores são muito
mais duradouras do que as nossas.
Mas
eles/as resistem. Não recuam. Persistem. E nos ensinam a nós e a nação inteira
o exemplo que temos de dar aos nossos filhos/as: Nossa dignidade vale mais!
Se
não somos nós capazes de lutar pela nossa dignidade, pelos nossos direitos?
Quem o fará? Os políticos? O governo? Os banqueiros?
Reflita
nesse momento. Diante das ameaças do Banco que recebemos o ano inteiro, quanto
a descomissionamentos e, agora, até com relação a demissões! Sim. O Banco está
buscando uma interpretação jurídica que o legitime a perpetrar demissões imotivadas.
Lembrando que já fez isso em tempos nem tão remotos assim!
Reflita
diante de tudo que temos passado o ano inteiro. De nossos míseros salários que
nos levam a depender de uma comissão para ter alguma sustentação financeira
para nossa família. Submetendo-nos a pressões e, mesmo, a situações constrangedoras
por uma prática de assédio que se institucionalizou.
Você
reclama o ano inteiro de uma série de questões. E, agora, nesse momento, não
deixe os seus colegas na greve, enquanto você coloca suas questões pessoais
acima e acabará por prejudicar a si mesmo e a toda a categoria.
Não
é por 6%, nem por 12%! É pela nossa dignidade, colega! Essa é a hora de nos
levantarmos. Essa é a lição que fica!
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