quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A LIÇÃO DOS PROFESSORES!


(...) Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
                                                                          E já não podemos dizer nada.
 
                                                                               No caminho, com Maiakóvski.
                                                                                       Eduardo Alves da Costa

                Temos visto a luta dos professores. Em todos os estados. Aqui mesmo no Ceará. Agora, no Rio de Janeiro, coincidindo com a nossa greve.

                Enfrentando a violência da polícia e um governo sem abertura ao diálogo, que aposta na desqualificação política, no uso da força e na maioria parlamentar de uma Câmara subserviente.

                Estes educadores têm uma carga horária de trabalho das mais elevadas. Após greve, ainda repõem várias horas de aula para recuperarem o ano letivo de seus alunos. Fazem planejamento aos sábados. Corrigem e elaboram provas nos finais de semana e horário de almoço.

                Mas não se intimidam. Apanham da polícia, levam spray de pimenta, vão às ruas e ainda repõem várias horas didáticas. Trabalham e suam pelo país. E são muito mal remunerados.

                Muitos de nós nem somos afetados, pois a maioria de nossos filhos estuda em escolas particulares.

                Mas será que não fica alguma lição para nós?

                Os professores/as, diferentemente de nós, bancários, não causam nenhum impacto econômico direto com sua greve. O patrão deles tem um orçamento muito mais apertado que o dos banqueiros. Por isso, as greves de professores são muito mais duradouras do que as nossas.

                Mas eles/as resistem. Não recuam. Persistem. E nos ensinam a nós e a nação inteira o exemplo que temos de dar aos nossos filhos/as: Nossa dignidade vale mais!

                Se não somos nós capazes de lutar pela nossa dignidade, pelos nossos direitos? Quem o fará? Os políticos? O governo? Os banqueiros?

                Reflita nesse momento. Diante das ameaças do Banco que recebemos o ano inteiro, quanto a descomissionamentos e, agora, até com relação a demissões! Sim. O Banco está buscando uma interpretação jurídica que o legitime a perpetrar demissões imotivadas. Lembrando que já fez isso em tempos nem tão remotos assim!

                Reflita diante de tudo que temos passado o ano inteiro. De nossos míseros salários que nos levam a depender de uma comissão para ter alguma sustentação financeira para nossa família. Submetendo-nos a pressões e, mesmo, a situações constrangedoras por uma prática de assédio que se institucionalizou.

                Você reclama o ano inteiro de uma série de questões. E, agora, nesse momento, não deixe os seus colegas na greve, enquanto você coloca suas questões pessoais acima e acabará por prejudicar a si mesmo e a toda a categoria.

                Não é por 6%, nem por 12%! É pela nossa dignidade, colega! Essa é a hora de nos levantarmos. Essa é a lição que fica!

               

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